Alma Penada

Do interior do Paraná mais esta estória contada por Z. S.
"Eu trabalhava no meio do mato numa serraria e adorava fazer "terror" com os caboclos, meus empregados.
Quando a noite chegava, naquela escuridão de floresta onde qualquer barulho arrepia, saia sem ser percebido do dormitório improvisado e com um lençol branco me cobria, acendia uma vela e ficava passeando entre o mato até que algum me visse e em pânico desse o alarme e todos se desabavam aos gritos: alma, alma penada.
Eu, às gargalhadas emitia sons apavorantes e os caboclos sempre juravam no dia seguinte que aquela "visagem" era verdadeira.
Numa noite, já com o lençol e a vela acesa, fazendo meu teatro e antegozando a correria da "caboclada" , olho para o lado e vejo uma luz se mexendo.
Pisquei os olhos e a luz se aproximava cada vez mais e mais ; e o que era pior eu só via aquela vela, sem lençol ou algo que pudesse segurar a luz.
Paralisado de medo pensei que seria um caboclo me dando o troco . Com a coragem da racionalidade me aproximei para ver qual era o truque. De repente a luz começou a fazer círculos em torno de mim e eu então apavorado , tratei de correr e sumir dali.
Depois desta noite , os caboclos dormiram tranqüilos por uma boa temporada , pois eu não podia nem ouvir falar em "alma penada".

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