Introdução
Quem vai à Índia procura mais do que um programa turístico. A forte sensação de espiritualidade que o país transmite costuma ser o principal ponto de atração.
Berço do budismo, onde Sidharta Gautama, o Buda, nasceu para compreender as verdades essenciais, a Índia também encanta com seus deuses do hinduísmo como Shiva e Krishna, e com diversas outras influências religiosas e artísticas.
São milhares de templos, estilos arquitetônicos, deuses, filosofias, costumes e lendas à espera dos mais diversos olhares e interpretações.

A diversidade arquitetônica realmente impressiona. Encontramos influências hindus, budistas, muçulmanas, britânicas, francesas, portuguesas, romanas, gregas e mongóis, entre outras.
Outro motivo de admiração para o viajante é que a flagrante miséria material de grande parte da população não impede os 4 principais grupos raciais de viverem sorrindo, em harmonia entre si.
Unido e tolerante, o indiano respeita as crenças e estilo de vida de seus semelhantes.
A maioria é hinduísta, mas há indianos católicos, budistas, muçulmanos, sikhs e judeus. Trabalhando, perambulando, meditando, entre festas, rituais e procissões, o indiano acolhe com um sorriso as agruras da vida.
Terceiro Maior produtor de satélites e de infra-estrutura de ciência e tecnologia, a Índia é um país de contrastes, onde tecnologia de ponta convive ao lado de regiões miseráveis e sem instrução. Há muito o que ver, sentir e refletir.
Uma boa forma de se começar é viajando até o oeste, no estado de Maharashtra, um dos maiores, mais ricos e populosos da Índia. Maharashtra foi o principal centro do Império Maratha, há centenas de anos. Sua capital é a cidade de Mumbai, inicialmente batizada como Bombaim pelos conquistadores portugueses (que a consideravam uma "boa baía" para navegação). Superpopulosa, Mumbai é o principal centro financeiro da Índia e também porta de entrada para maravilhas arquitetônicas, lendas e o modo de viver todo especial de sua população.
Como Chegar

Não há vôos diretos do Brasil para a Índia.
É preciso antes fazer uma conexão com a Europa ou Estados Unidos.
A melhor opção é a Europa, marcando-se uma passagem aérea Brasil-Paris-Mumbai ou Brasil-Londres-Mumbai.


O pacote sai a cerca de U$ 2.500 (dólares) por pessoa.
Visto
Cada visto é válido por, no máximo, 180 dias.
Brasileiros residentes no Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina devem solicitar seus vistos pelo Consulado Geral da Índia em São Paulo
(tel. 0XX11- 3171.0340 / 3171.0341 bhojwani@indiaconsulate.org.br).
Moradores de outros estados podem solicitá-los pela Embaixada da Índia, em Brasília
(tel. 0XX61-248-4006, commercial@indianembassy.org.br).
Mumbai fervilha de gente e, por concentrar diversas empresas e instituições financeiras, tem um ar cosmopolita, com lojas e restaurantes influenciados pelo modo de vida ocidental, também presente na rica e diversificada vida noturna. Em Mumbai, também se concentra a maior parte da indústria cinematográfica indiana, a maior do mundo em produção (cerca de 800 filmes por ano).
Aliando passado e presente, Mumbai será o ponto de partida para explorarmos tesouros arqueológicos datando de milhares de anos.
São lugares e monumentos dentro de Maharashtra que representam variados períodos na formação cultural e religiosa da Índia.
A destacar, a influência do Budismo, do Hinduísmo e do Jainismo.
 
Idioma
A Língua nacional é o Hindi. Devido ao fluxo de turistas e necessidades comerciais, o Inglês foi mantido como idioma predominante.
Existem ainda 15 línguas principais e 844 dialetos
que são falados em diversas regiões.
Em Maharashtra, a língua oficial é o Marathi.
O QUE VER
Ilha de Elefanta
Será nossa primeira parada, pois fica a apenas 10 quilômetros de Mumbai. O único acesso é de navio, o que torna o passeio ainda mais agradável. A Ilha de Elefanta tem muita beleza externa, própria de uma pequena ilha com ares tropicais, mas a principal beleza está no interior.

Esculpido no século VI D.C., dentro de uma montanha, um enorme e majestoso templo hinduísta escavado na rocha deixa o visitante maravilhado. Segundo os locais, gerações de artesãos e de escultores se sucederam até que tudo estivesse pronto. A maioria morreu sem ver tudo acabado.

Embora Vishnu, Ganesha e os principais deuses hindús estejam representados, Elefanta é sem dúvida um domínio de Shiva (ver Principais Deuses), apresentado ora como asceta, ora como Nataraja, o deus-dançarino, como Trimurte, em que aparece com 3 rostos, e até com uma metade feminina, concentrando os princípios ativo e passivo do mundo. Além de esculturas isoladas, painéis ricos em detalhes contam passagens da vida e das obras de Shiva.
O templo tem cerca de 5 mil metros quadrados e fica 100 metros acima do nível do mar. Ou seja, é preciso, literalmente, caminhar até o topo para ver os deuses.

Em fevereiro, há um grande festival onde a ilha explode de alegria em manifestações de dança, música e rituais.

Artistas fazem performances ao ar livre, nos arredores do templo, sob o olhar silencioso das estátuas e embevecido do público
Ajanta e Ellora
Há cerca de 400 km de Mumbai, ou 5 horas de carro, estão os incríveis templos esculpidos na rocha de Ajanta e Ellora.
Os de Ajanta ficaram por séculos escondidos do olhar do público.
Só em meados do século dezenove sua beleza foi redescoberta por um grupo de oficiais britânicos durante uma caçada.
Sua proximidade com Ellora permite que ambos sejam visitadas no mesmo dia, de carro ou ônibus.
Para o turista sem pressa, o ideal é se estabelecer na cidade de Aurangabad, ligada a Mumbai por trem, avião, carro e ônibus, e de lá explorar os templos
Ajanta fica a 99 km e Ellora a 30 km.

Dica: em Aurangabad, não deixe de visitar o Bibi-ka-Maqbara, uma imitação do Taj-Mahal construída pelo imperador Aurangazeb como uma tumba para sua esposa.
Devemos aos monges budistas as esculturas e painéis espalhados pelas 29 cavernas de Ajanta.
Entre o século II AC e o século VIII DC, com martelos e cinzéis, eles deixaram impressionantes marcas da passagem de Buda pela terra em suas várias reencarnações.

As cavernas tinham uma função prática, não se destinando só à admiração, sendo divididas em dois tipos: as chamadas "Chaitya", usadas para os rituais do budismo, e as "Vihara", usadas como dormitório (isso mesmo!) e como salas de reunião.

Os guias recomendam especialmente as grutas 2 e 26. Na primeira, no teto, uma abóboda esculpida representa uma mandala representando o cosmos.
Ellora Localizada sobre uma falésia, a região de Ellora com seus 34 templos esculpidas na montanha se destaca não só pela beleza, mas pela diversidade e tolerância religiosa: há grutas refletindo os 3 principais períodos religiosos e filosóficos da Índia: são 12 cavernas budistas, 17 hinduístas e 5 Jainistas. É em Ellora que fica Kailasha, (templo 16), um dos monumentos mais procurados e cultuados da Índia. A origem do lugar e das grutas remonta ao século VII D.C. quando comerciantes, religiosos e peregrinos usavam suas rotas em direção aos portos do oeste. Para eternizar sua presença, os budistas resolveram escavar seus símbolos na rocha.
Ao longo de 5 séculos, jainistas e hinduístas fizeram o mesmo sem que se tenha sabido de qualquer guerra ou animosidade entre os grupos. Você pode iniciar pela gruta que quiser. Da 1 à 12, encontrará templos budistas.
De 13 à 29, grutas hinduístas, com destaque para o templo de Kailasha, considerado a maior estrutura monolítica do mundo.

Um templo gigantesco com pórtico, pavilhão e pátio escavados em uma única rocha.

O nome Kailasha é uma homenagem à morada sagrada de Shiva e Parvati no Himalaia.

De 30 à 34, estão as grutas jainistas, um período mais austero em termos religiosos.

O templo 32, contendo imagens de Mahavira, herói da mitologia jainista, é o mais recomendado.
Principais Deuses do Hinduísmo
Brahma - O
criador do universo. Representado com 4 rostos, cada um virado para um ponto cardeal, como que para contemplar toda sua obra. Diz-se que, de cada uma das cabeças saiu um dos 4 Vedas, livros sagrados indianos contendo a sabedoria universal. Junto com Vishnu e Shiva, representa a trindade dos deuses hindús. Costuma ser representado deitado sobre uma flor-de-lótus que, na Índia, é simboliza expansão espiritual, por ter brotado após a passagem do Buda em sua peregrinação.
Vishnu -
O preservador do mundo, não só da Terra. Não é criador como Brahma, mas mantém as formas, coisas, objetos, idéias, pensamentos coesos, faz com que tudo tenha sentido. É o senhor do Dharma, das leis naturais, responsável pela órbita dos planetas, pela posição do sol, pela lei da gravidade, pelo refluxo das marés. Geralmente representado com um disco solar chamado "Chakra" sobre a cabeça. É o deus da unidade, coesão.
Shiva -
Opondo-se a Vishnu, Shiva tem aparentemente uma conotação negativa como o deus da destruição. Mas se pensarmos que a destruição sempre traz renovação, Shiva aparece como uma figura grata. Responsável pela morte do ego humano, é Shiva quem encaminha a humanidade para a luz por meio da aniquilação de suas ilusões.
Ambíguo, dual, ora é representado como asceta, meditando no monte Kailasa, ora com uma metade feminina, que seria Parvati. Sua imagem mais famosa é na forma de Nataraja, o deus dançarino, rodeado por um círculo em chamas, ou seja, o universo, que ele mantém em perpétuo movimento.

Shiva é o deus da impermanência das coisas, e o mais cultuado de toda Índia. E como renovação também significa vida, paradoxalmente, o deus da destruição é também o deus da fertilidade.
Ganesha -
Corpo de homem e cabeça de elefante, sábio, ponderado, ajuda as pessoas a superarem suas dificuldades. É um dos mais cultuados e queridos deuses da Índia. Fonte de inspiração para os escritores, é o autor do poema épico "Mahabharata", que relata a formação e a história do mundo e da Índia. Cedo, perdeu sua cabeça humana ao enfrentar Shiva, companheiro de sua mãe Parvati. Para compensar, Shiva colocou no corpo do rapaz a cabeça da primeira criatura que encontrou: um elefante.
Krishna -
A oitava reencarnação de Vishnu. Em sua forma humana aparece como um dos heróis do poema épico "Mahabharata", onde auxilia seu cunhado Arjuna em várias batalhas. Astuto, ardiloso, dá lições aos homens que pecam pelo orgulho e ambição. Sabe aproveitar os prazeres terrenos, pois tem fama de sedutor. Seus ensinamentos são paradoxais, como os dos grandes sábios, e só após muito (ou nada) refletir, podemos aprender com ele.
Parvati -
Esposa e companheira de Shiva, é também simbolizada como a manifestação feminina do deus da destruição.
Buda
Nascido nobre em meados do ano 500 AC., o príncipe Sidharta Gauthama cresceu cercado pelas pedras do seu palácio, ignorando o que havia no mundo exterior. Certo dia, ao topar com o corpo inerte de um escravo que havia morrido durante o trabalho, sua curiosidade sobre os fatos da vida se aguçou.
Disfarçado como popular, deixou o palácio para apreender o significado da vida.
Após peregrinar pela Índia por vários anos, sem dinheiro, levando uma existência miserável, chegou à conclusão que despojar-se de tudo também não levava ninguém à verdade, e voltou para seu palácio, sem no entanto abandonar sua busca de um significado maior.
Certo dia, na região de Bodhgaya, sentou-se - na que viria a ser chamada posição de flor-de-lótus - junto à uma árvore por um momento.
Sua atitude foi tão tranqüila, despojada e despretensiosa que, ali, se tornou uno com o universo, atingindo o Nirvana.
Espírito magnânimo, quis repartir seu conhecimento, passando a viajar pelo país, arrebanhando seguidores. Sua filosofia baseava-se na eliminação do apego e do desejo, fontes da perturbação e do desequilíbrio do ser humano.
Acolhido por toda a Índia, o budismo se espalhou também pelo Japão, China, Tibete e Coréia. A partir do século VIII, entrou em decadência em seu próprio berço, com o indiano passando a cultivar mais o Jainismo e depois o Hinduísmo.
Gandhi
Ao lado de Budha, outro grande ícone da Índia. Sua figura calma e complacente é reverenciada em todo o país: calvo, magro, curvado, em túnica branca, apoiado em um bastão, com grossos óculos, esta imagem passada para a posteridade é vendida na forma de esculturas, quadros, fotos e ilustrações em todas as regiões. Bastião da resistência contra o invasor inglês, Gandhi foi um dos pilares da libertação do seu povo, conseguindo um feito espantoso: comandou uma revolução pacífica, baseada na filosofia da "ahimsa" que significa não-agressão. Estudou direito em Londres. Voltou para seu país natal para dedicar-se aos desafortunados e morreu assassinado por um indiano em 1948, após garantir a soberania de seu país frente à Inglaterra e ao mundo.
Moeda e Compras
Pechinchar é uma tradição local, logo, não vá aceitando o primeiro preço pedido. Os indianos podem até se ofender se você não pechinchar. O artesanato é tão variado quanto as influências culturais e religiosas: há sedas, tapeçarias, esculturas, antiguidades, jóias, pedras semi-preciosas, aromas e essências afrodisíacas, artigos de beleza, sáris (espécie de túnica para mulheres), artigos de couro.
Mesmo que você carregue algumas rúpias indianas, moeda local, os indianos preferem receber em dólar americano, dólar canadense ou em euros.
Hospedagem e Alimentação
Procure se hospedar em um dos inúmeros hotéis-palácios, famosos na Índia pela arquitetura exuberante e por propiciar conforto e atendimento de primeira.
A gastronomia é tão variada quanto o número de regiões e dialetos. Como a vaca é sagrada e intocável, os pratos de carne oferecem variações em torno de cordeiro e de frango como o Rogan Josh (cordeiro ao curry) ou os Biryani (frango ou cordeiro temperados com açúcar e água de rosas).
Um prato famoso em Mumbai é o Pato com Curry. Há uma grande variedade de peixes e mariscos, sempre ricamente temperados. O indiano do sul alimenta-se muito de arroz e iogurte.
Literatura Recomendada
Índia - Um Olhar Amoroso, de Jean-Claude Carrière - Ed. Ediouro
O famoso autor e roteirista europeu (trabalhou com Luis Buñuel e Peter Brooks) faz um relato passional e mais voltado às sensações que suas dezenas de viagens à Índia lhe trouxeram.
O Mahabaratha -
Poema épico gigantesco, mais extenso que a Bíblia, que conta a história da humanidade pelos olhos da Índia. Teria sido escrito pelo deus Ganesha que ouviu tudo da boca de Vyasa, um velho eremita. Uma de suas partes é o Bhagavadgita, que conta peripécias do deus Krisnha em contato com a raça humana.
Kama Sutra -
Kama é o deus do amor, Sutra significa tratado. Sua autoria é atribuída a um sábio chamado Vatsayana que procurou reunir as principais técnicas e posições amorosas idealizadas pela aristocracia indiana. Apesar da forte sensualidade, o Kama Sutra passa a mensagem de transcendência espiritual, do encontro de duas almas, por meio do sexo.

Livro Virtual
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