Consciência e Alquimia - Parte I

A Visão Alquímica do Mundo

Para o alquimista, o superior e o inferior, bem como o interior e o exterior estavam ligados por vínculos e identidades ocultos.
Uma passagem da Tábua de Esmeralda diz: "Aquilo que está em cima é igual ao que está embaixo, e o que está embaixo é igual ao que está em cima, para realizar os milagres de uma só coisa."
Os planetas no Céu correspondem aos metais na Terra:
Sol = ouro
Lua = prata
Mercúrio = mercúrio
Vênus = cobre
Marte = ferro
Júpiter = estanho
Saturno = chumbo.

À medida em que giram ao redor da Terra, os planetas pouco a pouco derramam seus metais correspondentes no interior da Terra, podendo-se extraí-los por meio das operações alquímicas.
Em termos psicológicos podemos entender essa imagem como uma referência aos componentes arquetípicos do ego.
Os tijolos empregados na construção do ego são qualidades divinas furtadas aos deuses ou produto do desmembramento de uma divindade.
A imagem central da alquimia é a idéia da "Opus", ou seja, obra.
O alquimista via-se como alguém comprometido com um trabalho sagrado: a busca do valor supremo e essencial.
Os textos alquímicos têm muito a dizer acerca da natureza da "Opus" e sobre a atitude que se deve ter em relação a ela.
São requisitos indispensáveis:
"Todos os que buscamos seguir esta arte não podemos atingir resultados úteis senão com uma alma paciente, laboriosa e solícita. Com uma coragem perseverante e com uma dedicação contínua."
Esses são requisitos da função do ego. Como diz um alquimista:
"Se pretendemos encontrar a Pedra Filosofal, devemos começar com um fragmento nosso. À medida que o processo se aprofunda, percebemos cada vez mais que o discernimento vem até nós pela graça, e que ocorrem desenvolvimentos, não pela vontade do ego, mas pela premência da individuação, cuja origem é o Si-mesmo (Self)."
Outro aspecto da "Opus" é o fato dela ser um trabalho amplamente individual.
Os alquimistas eram decididamente solitários.
Trata-se de uma referência à peculiar natureza da individuação, que é experimentada em seus aspectos mais profundos pelo indivíduo isolado.
Outra característica da "Opus" refere-se ao seu caráter secreto.
Os alquimistas consideravam-se guardiões de um mistério vedado aos que não tinham valor.
Num certo sentido, o segredo da psique está seguro porque não é comunicável a aqueles que ainda não o tenham experimentado por si mesmos.
A "Opus" é, num certo sentido, contrária à natureza, mas em outro, o alquimista auxilia esta última a fazer aquilo que ela não pode fazer por si mesma.
Isso por certo se refere à evolução da consciência.
Embora exista na natureza a premência de atingir a consciência (no interior da psique inconsciente), é necessário um ego para realizar plenamente esta premência natural.

Adriana Gaia